Como trabalho

Uma escuta clínica que considera corpo, história, vínculos, consciência e sentido.

Cada pessoa chega à psicoterapia com uma história, uma forma de perceber o mundo e maneiras próprias de proteger-se, relacionar-se e responder ao que vive.

Por isso, não conduzo todos os processos a partir de um protocolo único.

Minha forma de trabalhar é psicológica, integrativa, laica e não reducionista. Ela articula escuta clínica, corpo, vínculos, memória, trauma, regulação emocional, consciência e construção de significado.

As referências teóricas e os recursos técnicos são importantes, mas permanecem subordinados à singularidade da pessoa, aos objetivos do processo, ao vínculo terapêutico e às condições de segurança existentes em cada momento.

Fabiano Deliberalli em uma conversa gravada

A pessoa vem antes da técnica

Antes de perguntar qual técnica utilizar, procuro compreender:

  • o que a pessoa está vivendo;
  • como essa experiência aparece no corpo;
  • quais emoções e impulsos estão presentes;
  • quais acontecimentos e relações participam do problema;
  • que interpretações estão sendo produzidas;
  • quais respostas foram aprendidas;
  • o que essas respostas procuraram proteger;
  • quais recursos estão disponíveis;
  • que direção a pessoa deseja construir.

A técnica não substitui essa compreensão.

Princípios que orientam minha condução

1

A experiência precisa ser acolhida antes de ser explicada

Uma pessoa não chega à psicoterapia apenas com informações sobre si. Ela chega com sensações, afetos, conflitos, lembranças, expectativas e formas de organizar aquilo que vive.

Interpretar cedo demais pode substituir a experiência por uma teoria.

Por isso, procuro criar condições para que aquilo que está sendo vivido possa aparecer, ser nomeado e investigado sem a exigência imediata de caber em uma explicação pronta.

2

O corpo participa do processo

A experiência humana é corporificada.

Alterações na respiração, tensão, aceleração, imobilidade, desconforto, impulso de afastamento ou dificuldade de permanecer em contato podem oferecer informações importantes sobre o estado da pessoa.

A atenção ao corpo não significa que toda sensação possua um significado psicológico fixo. Também não significa transformar a sessão em uma prática corporal.

Significa incluir o corpo como uma dimensão da experiência clínica, ao lado da história, dos afetos, dos pensamentos, das relações e dos significados.

3

Muitas respostas nasceram como formas de proteção

Certos padrões podem continuar ativos mesmo depois de deixarem de ser adequados à situação atual.

Evitar conflitos, controlar excessivamente, afastar-se, permanecer em alerta, agradar ou silenciar podem ter surgido como tentativas de proteger-se, preservar um vínculo ou atravessar uma circunstância difícil.

Reconhecer essa função não significa manter o padrão. Significa compreendê-lo sem transformar o processo terapêutico em uma guerra contra partes da própria pessoa.

A partir dessa compreensão, torna-se possível investigar outras formas de proteção, contato e resposta.

4

Segurança e ritmo importam

Nem toda experiência precisa ser aprofundada imediatamente.

Em determinados momentos, aproximar-se rápido demais de conteúdos intensos pode aumentar a desorganização em vez de favorecer integração.

Por isso, o processo considera o ritmo da pessoa, sua capacidade de permanecer em contato, os recursos disponíveis e as condições do momento.

Regulação não significa controlar ou eliminar emoções. Significa ampliar a possibilidade de reconhecê-las, atravessá-las e recuperar alguma orientação.

5

O vínculo terapêutico também participa da mudança

A psicoterapia não acontece apenas por meio das palavras ou das técnicas utilizadas.

A relação construída ao longo do processo pode tornar visíveis formas de aproximação, proteção, confiança, receio, expectativa e afastamento que aparecem também em outros vínculos.

Escuta, presença, comunicação, clareza de limites e possibilidade de reparação fazem parte do trabalho.

O terapeuta não é um observador completamente externo ao processo. Ao mesmo tempo, sua participação precisa estar submetida ao enquadre, à ética e às necessidades terapêuticas da pessoa atendida.

6

Diagnósticos ajudam, mas não definem uma pessoa inteira

Categorias diagnósticas podem ser importantes para organizar informações, orientar investigações, comunicar-se com outros profissionais e avaliar necessidades de cuidado.

Entretanto, um diagnóstico não esgota a história, a identidade ou o sentido de uma experiência.

Procuro utilizá-lo como instrumento clínico quando necessário, sem transformá-lo na definição total de quem a pessoa é.

7

Autonomia é parte do processo

A psicoterapia não deve tornar a pessoa dependente das interpretações do terapeuta.

Meu trabalho busca favorecer participação, compreensão e autonomia.

Isso envolve construir conjuntamente objetivos, avaliar o que está sendo útil, reconhecer limites e desenvolver condições para que a pessoa compreenda melhor seus próprios processos e participe das decisões sobre o acompanhamento.

Referências e recursos clínicos

Minha prática foi formada por diferentes referências. Elas não são aplicadas como um pacote único nem utilizadas em todas as pessoas.

Escuta psicológica e psicodinâmica

A história, os vínculos, os conflitos, as defesas, as repetições e os processos que nem sempre estão imediatamente conscientes participam da compreensão clínica.

A escuta psicodinâmica ajuda a investigar não apenas o que a pessoa faz, mas como determinados modos de sentir, proteger-se e relacionar-se foram constituídos.

Corpo e regulação

Minha trajetória anterior em práticas corporais e integrativas influencia a atenção que dedico à dimensão corporificada da experiência.

Durante a psicoterapia, podem ser utilizadas formas de observação das sensações, da respiração, da orientação e do estado corporal, sempre dentro do escopo psicológico e conforme a necessidade clínica.

Shiatsu, acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa fazem parte de minha formação histórica, mas não são serviços oferecidos como parte da psicoterapia on-line.

Trauma e reprocessamento

Quando existe indicação, utilizo recursos voltados ao processamento e à integração de experiências difíceis. Entre minhas formações estão:

EMDR — abordagem estruturada que pode ser utilizada no trabalho com memórias e experiências perturbadoras, após avaliação e preparação adequadas.

Brainspotting — recurso que utiliza posição ocular, atenção focalizada e experiência corporal no processamento de conteúdos emocionalmente relevantes.

Hipnose clínica e ericksoniana — utilização terapêutica de estados de atenção focalizada, imaginação e linguagem, respeitando autonomia, consentimento e objetivos clínicos.

Esses recursos não são utilizados automaticamente nem substituem a relação terapêutica. Sua pertinência depende da avaliação de cada caso.

Atenção, consciência e práticas contemplativas

Recursos de atenção e observação podem ajudar algumas pessoas a reconhecer estados internos, diferenciar pensamentos de acontecimentos e ampliar a capacidade de permanecer em contato com a experiência.

Essas práticas são introduzidas de forma adaptada. Não são adequadas da mesma maneira para todas as pessoas e não são apresentadas como obrigação espiritual.

Espiritualidade e experiências difíceis de explicar

Algumas pessoas chegam à psicoterapia com vivências espirituais, religiosas, anômalas ou relacionadas a estados ampliados de consciência.

Essas experiências podem ser significativas e, ao mesmo tempo, difíceis de compreender ou comunicar.

Minha condução procura evitar dois extremos:

  • confirmar automaticamente uma interpretação espiritual ou metafísica;
  • reduzir imediatamente a experiência a um sintoma ou transtorno.

O ponto de partida é acolher e investigar o que foi vivido. Isso envolve diferenciar:

  • o acontecimento relatado;
  • as sensações e afetos;
  • a interpretação construída;
  • as referências culturais, religiosas ou espirituais;
  • o impacto sobre a vida cotidiana;
  • as hipóteses clínicas pertinentes;
  • a necessidade de outros cuidados ou avaliações.

É possível reconhecer a realidade e a importância do vivido para a pessoa sem afirmar antecipadamente qual foi a origem do fenômeno.

Quando necessário, a situação também pode exigir interlocução com outros profissionais de saúde.

O que significa uma abordagem integrativa

Integrar não é misturar todas as teorias como se dissessem a mesma coisa. Uma abordagem integrativa precisa manter diferenças.

Psicologia, neurociência, Psicanálise, práticas corporais e tradições contemplativas possuem métodos e fundamentos distintos. O diálogo entre elas pode ampliar a compreensão, desde que uma não seja utilizada para validar automaticamente a outra.

Em minha prática, integração significa:

  • considerar diferentes dimensões da experiência;
  • escolher recursos conforme a necessidade;
  • manter clareza sobre o estatuto de cada conhecimento;
  • acompanhar os efeitos concretos do processo;
  • revisar hipóteses quando necessário;
  • preservar singularidade, ética e autonomia.

Psicoterapia é um processo construído em conjunto

Não existe uma resposta pronta que possa ser aplicada a todas as pessoas.

O trabalho acontece por meio de uma investigação compartilhada, na qual o conhecimento clínico do terapeuta encontra a história, a percepção, os limites e os recursos de quem procura acompanhamento.

A transformação pode incluir compreender o que antes parecia confuso, reconhecer respostas automáticas, integrar experiências difíceis, desenvolver novas formas de relação ou recuperar possibilidades que haviam se tornado pouco acessíveis.

Não se trata de produzir uma versão ideal de si.

Trata-se de construir mais condições para participar conscientemente da própria vida.