Uma trajetória entre corpo, clínica, consciência e espiritualidade

Fabiano Deliberalli

Quem sou

Sou Fabiano Deliberalli — psicólogo clínico e psicoterapeuta — CRP 06/98630.

Minha trajetória no cuidado terapêutico começou em 1995, antes da graduação em Psicologia, por meio das práticas corporais e integrativas.

Desde então, diferentes campos participaram de minha formação: trabalho corporal, Medicina Tradicional Chinesa, Psicologia, Psicanálise, abordagens contemporâneas do trauma, neurociência, práticas contemplativas e espiritualidade.

Esses campos não ocupam o mesmo lugar e não são apresentados como conhecimentos equivalentes. Cada um possui linguagem, método, alcance e critérios próprios.

O que os aproxima em meu percurso é uma pergunta que continua orientando meu trabalho:

Como compreender o ser humano sem reduzir sua experiência a uma única dimensão?

O corpo como primeira entrada

Meu primeiro contato com o cuidado terapêutico aconteceu por meio do corpo.

As formações em práticas corporais e integrativas, Medicina Tradicional Chinesa, acupuntura, shiatsu e Qi Gong ensinaram-me muito cedo que a experiência humana não acontece apenas no pensamento.

Ela também se manifesta na respiração, no tônus, na postura, no movimento, no ritmo, nas sensações e nas formas pelas quais o organismo se prepara para aproximar-se, afastar-se, defender-se ou permanecer em contato.

Essa origem continua presente em minha escuta.

Isso não significa misturar indiscriminadamente práticas corporais com Psicologia ou apresentar conceitos tradicionais como se fossem comprovações neurocientíficas. Significa reconhecer que minha formação clínica foi construída desde o início com atenção à experiência corporificada.

Antes de aprender a explicar o ser humano por meio de teorias psicológicas, aprendi a observá-lo também em sua presença, em seus ritmos e em suas formas de organização corporal.

A entrada na Psicologia

Com o aprofundamento do trabalho terapêutico, tornou-se necessário compreender de maneira mais rigorosa os processos emocionais, relacionais e psíquicos envolvidos no cuidado.

Graduei-me em Psicologia pela Universidade São Marcos, com conclusão em 2009, diploma e registro profissional em 2010.

A formação em Psicologia ampliou e reorganizou o percurso anterior. Trouxe fundamentos clínicos, psicopatológicos, éticos e científicos indispensáveis para diferenciar práticas, estabelecer enquadres e compreender a singularidade de cada processo.

Também aprofundei meus estudos em Psicanálise e Psicanálise Integrativa, ampliando minha compreensão sobre história, conflito, defesa, repetição, vínculo e processos inconscientes.

A Psicologia não apagou o que veio antes. Ela ofereceu novos critérios para integrar, delimitar e utilizar esse repertório com maior responsabilidade.

Trauma, proteção e reprocessamento

Ao longo da prática clínica, o estudo do trauma tornou-se um eixo importante de minha formação continuada.

Muitas reações que hoje limitam uma pessoa foram construídas em momentos nos quais seu organismo procurava proteção, adaptação ou preservação de vínculos importantes.

Compreender essa função modifica a forma de olhar para sintomas e padrões repetitivos. Em vez de tratá-los apenas como defeitos a serem eliminados, torna-se possível investigar:

  • o que essa resposta procurou proteger;
  • em qual contexto foi aprendida;
  • por que continua sendo mobilizada;
  • quais dimensões da experiência permanecem pouco integradas;
  • que novas possibilidades podem tornar-se disponíveis.

Nesse percurso, realizei formações em recursos de reprocessamento e integração de experiências difíceis, incluindo EMDR, Brainspotting e hipnose clínica e ericksoniana.

Esses recursos não constituem respostas automáticas nem técnicas aplicadas indistintamente. São possibilidades utilizadas dentro de um processo clínico mais amplo, a partir da avaliação da singularidade, do estado e das necessidades de cada pessoa.

Psicologia Transpessoal, consciência e espiritualidade

A espiritualidade sempre fez parte de minha trajetória pessoal e formativa.

Ao longo dos anos, estudei diferentes tradições, práticas contemplativas, perspectivas orientais e modelos voltados aos estados de consciência e ao desenvolvimento humano. Também concluí uma pós-graduação em Psicologia Transpessoal.

Essa aproximação não me levou a considerar toda experiência espiritual como evidência de uma realidade metafísica, nem a reduzir automaticamente essas experiências a sintomas psicológicos.

Entre a validação indiscriminada e a patologização precipitada existe um campo de investigação, cuidado e discernimento.

Uma experiência pode ser profundamente real para quem a vive, produzir efeitos concretos e reorganizar valores, relações e identidade, mesmo quando sua origem permanece aberta a diferentes interpretações.

Por isso, considero importante diferenciar:

  • a experiência vivida;
  • as sensações e afetos envolvidos;
  • a interpretação pessoal;
  • o contexto cultural ou espiritual;
  • as hipóteses clínicas;
  • as afirmações sobre a origem do fenômeno;
  • os efeitos concretos produzidos na vida.

A espiritualidade aparece em meu trabalho de maneira explícita, plural e não dogmática. Ela não é imposta como explicação e também não precisa ser excluída para que exista rigor.

Neurociência e comportamento

A busca por compreender os processos relacionais e corporificados levou-me à pós-graduação em Neurociência e Comportamento pela PUCRS, concluída em 2026.

Meu trabalho de conclusão recebeu o título:

“Sincronia Neural Interpessoal: Evidências Neurocientíficas, Redes Sociais do Cérebro e Ressonância Límbica.”

A pesquisa investigou como os avanços em neuroimagem e hyperscanning ajudam a compreender processos de sincronia neural entre pessoas, empatia, co-regulação e interação social.

Esse estudo dialoga diretamente com uma questão presente desde o início de minha trajetória: o fato de que o ser humano não se organiza isoladamente.

Corpo, cérebro, afetos e percepção são continuamente influenciados pelo encontro com outras pessoas.

A neurociência oferece instrumentos importantes para investigar esses processos. Entretanto, não a utilizo como validação automática de modelos psicológicos, energéticos ou espirituais.

Ela é uma das linguagens de investigação da experiência humana — importante, rigorosa e necessariamente incompleta quando utilizada sozinha.

Clínica, vínculo e presença

Minha forma de trabalhar não é definida por uma única escola ou técnica. Ela se organiza a partir de alguns princípios:

A singularidade vem antes do método

Nenhum recurso substitui a compreensão da pessoa, de sua história, de seu contexto e do momento que está vivendo.

O corpo participa da experiência

Sensações, estados fisiológicos, emoções e impulsos não são ruídos periféricos. São dimensões importantes do que está acontecendo.

Muitas respostas nasceram como proteção

Reconhecer a função original de uma resposta não significa mantê-la indefinidamente. Significa transformá-la sem iniciar uma guerra contra a própria história.

O vínculo também organiza

A presença e a relação terapêutica participam do processo. Escuta, segurança, ritmo, comunicação e co-regulação não são apenas o cenário no qual uma técnica é aplicada.

Experiência e interpretação precisam ser diferenciadas

Aquilo que uma pessoa viveu pode ser acolhido sem que uma explicação definitiva sobre sua origem seja imposta.

Transformação não é controle permanente

O objetivo não é eliminar todas as emoções difíceis nem produzir um estado contínuo de equilíbrio. É ampliar possibilidades de percepção, orientação e resposta.

Ensino, palestras e tradução de conhecimentos

Ao longo dessa trajetória, a docência e a comunicação tornaram-se outras formas de cuidado.

Ministrei cursos, aulas, workshops e palestras relacionados a práticas contemplativas, corpo, espiritualidade, consciência, Psicologia e experiência humana.

Também participei de entrevistas, encontros e projetos formativos voltados a pessoas interessadas em desenvolvimento humano e a profissionais que precisavam lidar com experiências complexas sem reduzi-las ou idealizá-las.

Ensinar, para mim, não consiste apenas em transmitir conceitos.

Consiste em traduzir conhecimentos de campos diferentes sem apagar suas diferenças — e transformar ideias complexas em mapas que possam ajudar alguém a observar e compreender melhor aquilo que vive.

Fabiano Deliberalli ministrando palestra

Da Centralma aos projetos atuais

A Centralma nasceu como espaço de cuidado, formação e integração de diferentes saberes. Durante anos, reuniu atendimentos, cursos e experiências voltadas ao desenvolvimento humano.

Com as transformações ocorridas ao longo do tempo, a Centralma passou a representar a continuidade de minha atuação clínica, atualmente realizada exclusivamente on-line.

A ampliação de minha produção autoral deu origem a duas outras frentes:

Traduzindo o Ser Humano

Projeto autoral educacional para pessoas que já acumularam compreensão sobre si, mas ainda encontram dificuldade para acessar e sustentar o que sabem quando são mobilizadas.

Conhecer o Traduzindo

CEEP

Espaço de educação continuada para profissionais da saúde, dedicado às interfaces entre clínica, ciência, consciência e espiritualidade.

Em breve

Centralma, Traduzindo o Ser Humano e CEEP não são nomes diferentes para a mesma atividade.

São contextos distintos que nasceram de uma mesma trajetória e atendem a finalidades diferentes: clínica, educação para o público geral e formação profissional.

O que conecta todo esse percurso

Se existe uma direção comum em minha trajetória, ela está no esforço de compreender e traduzir a experiência humana sem reduzi-la.

O ser humano não é apenas cérebro.

Não é apenas história.

Não é apenas corpo, pensamento, emoção, relação, energia, consciência ou espiritualidade.

Cada uma dessas perspectivas pode revelar algo importante. Mas também pode se tornar reducionista quando pretende explicar o todo sozinha.

Meu trabalho acontece nesse espaço de diferenciação e diálogo:

  • entre corpo e linguagem;
  • entre experiência e interpretação;
  • entre proteção e possibilidade;
  • entre ciência e sentido;
  • entre consciência e relação;
  • entre aquilo que compreendemos e aquilo que conseguimos sustentar na vida.

Formação em síntese

  • Psicólogo clínico e psicoterapeuta — CRP 06/98630;
  • trajetória no cuidado terapêutico iniciada em 1995;
  • graduação em Psicologia pela Universidade São Marcos, concluída em 2009;
  • atuação como psicólogo desde 2010;
  • pós-graduação concluída em Psicologia Transpessoal;
  • pós-graduação em Neurociência e Comportamento pela PUCRS, concluída em 2026;
  • estudos e formações em Psicanálise e Psicanálise Integrativa;
  • formação continuada em trauma e reprocessamento;
  • formações em EMDR, Brainspotting e hipnose;
  • trajetória anterior em práticas corporais e integrativas, Medicina Tradicional Chinesa, acupuntura e Qi Gong;
  • experiência em cursos, aulas, palestras e projetos educacionais;
  • criador do Traduzindo o Ser Humano;
  • atuação clínica on-line pela Centralma;
  • participação na construção do CEEP.